Pular para o conteúdo principal

E se?


"E se". É impressionante como duas palavras aparentemente inofensivas tem o poder de mudar tudo e ao mesmo tempo não mudar nada. "E se eu tivesse feito diferente?", "E se eu tivesse seguido outra direção?" ou até mesmo "E se eu tivesse outra chance?". Nós nunca sabemos qual o rumo das infinitas possibilidades que nos cercam, pelo menos não totalmente. A simples decisão de virar uma rua diferente, de comparecer a um evento ou qualquer ação aparentemente inofensiva tem a capacidade de mudar nossas vidas. Qualquer escolha resulta na perda de algo que você e eu ainda não temos a menor consciência sobre. 
Essa eterna dúvida sobre como agir nos coloca em um ciclo eterno de possíveis edições do passado e de preocupações com o futuro. Não é incomum me pegar pensando em como eu poderia ter me portado ou o que eu poderia ter feito para evitar sofrimentos ou resultados desagradáveis na minha vida. E ao mesmo tempo ser tão ansiosa para com o futuro a ponto de não me permitir aproveitar o presente. Esse tal medo do sofrimento e de tudo que não proporcione prazer é responsável para que muita gente fique só no "e se" e nunca se permita experimentar ir mais a fundo em relacionamentos, amizades e até mesmo realizações pessoais. Isso não significa que as pessoas tem que se prender a coisas e a pessoas que não à façam bem, entretanto o que tem acontecido ultimamente é que as pessoas deixam de tentar algo pelo simples fato de sentirem medo de não obter sucesso. 
A questão é que momentos de insucesso em nossa vida são essenciais para nosso crescimento pessoal e também servem como um filtro para descobrirmos o que queremos ou não. É um mecanismo de autoconhecimento que tem o poder de nos libertar de várias amarras que nos prendem socialmente, intelectualmente e temporalmente. E é claro que isso não significa que todos devamos viver tristes por aí, entretanto o processo de sofrimento após ações malsucedidas ou perdas é necessário para nossa reconstrução e até mesmo edição. 
Os "e se" continuarão à nos perseguir em alguns momentos da nossa existência, já que nunca teremos controle total sobre nossos encontros e desencontros. Nunca saberemos com quem vamos dar de cara na próxima esquina, quem vamos conhecer amanhã ou se cruzaremos com a nossa alma gêmea em um dia comum na saída do metro. Se os encontros são manobras do destino ou mero acaso eu não sei, prefiro acreditar na soma do destino com a disposição de enxergar as oportunidades que nos são dadas, mas independentemente do que ou de quem seja a responsabilidade dos acontecimentos o que realmente importa é estar sempre aberto e saber aproveita-los. Romain Rolland disse uma vez que "o acaso encontra sempre quem saiba aproveitar-se dele". Sempre que leio esta frase penso sobre a quantidade de oportunidades que já perdi na vida por não estar receptiva a elas. Quanto você já perdeu por ter ficado apenas no "e se"? 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sobre a 'Big Picturização' das coisas

Quando ficamos obcecados por algo, mesmo se tratando de algo pequeno e insignificante, atribuímos valor tão grande a tal coisa fazendo com que deixemos de ver a situação por um ângulo mais amplo. Isso faz com que qualquer dificuldade por qual passamos se torne uma grande tempestade em copo d'água, tudo se materializa em um dramalhão gigantesco. Eu costumo sofrer recorrentemente desse mal: não lidar bem com as situações por enxergar tudo de perto demais, e de perto se torna impossível ver todas as possibilidades e as oportunidades que a vida nos da diariamente.  A ' big picturização'  das coisas, por outro lado, tem o poder de nos fazer entender o quão insignificantes nosso problemas são e como nós poderíamos evitar estresse, desentendimentos, insatisfações e insegurança no nosso dia a dia. Olhar as coisas de longe, de todos os ângulos e sob todas as perspectivas nos faz perceber que damos atenção a coisas que só consomem nossa energia e não necessariamente nos dão u...

'Estranha como eu': um quadrinho sobre autenticidade

Mesmo após sessenta anos de sua morte, Frida Kahlo continua a inspirar e a intrigar gerações. Lembrada não apenas como artista, mas como símbolo de superação e da força feminina. Frida viveu uma vida intensa, teve paixões plenas, passou por muito sofrimento e mesmo assim conseguiu transbordar sensibilidade através da sua arte e da sua história.  O cartunista australiano Gavin Aung Than começou há alguns anos o projeto "Zen Pencils", no qual ele se usa de adaptações de citações famosas e inspiradoras no formato de tirinhas. Ele transformou um dos pensamentos da artista em um quadrinho extremamente delicado e que nos deixa uma lição sobre autenticidade e aceitação. Frida Kahlo completaria 108 anos hoje!

Inspiração Boho

Ultimamente eu tenho reparado no crescimento do estilo boho em várias redes sociais, principalmente Tumblr e Pinterest , e acabei meio sem querer gostando muito e tirando daqui e dali várias referencias que me agradam. Essa pegada meio folk , meio gypsy , meio vintage possibilita que esse estilo não siga muitas regras e que seja bem democrático.  O estilo boêmio é marcado pelo excesso de informação e à uma primeira vista pode parecer uma bagunça sem fim, mas logo se faz possível observar a quantidade de referencias e como elas podem ser usadas juntas. Eu achei incrível o fato de misturar tantas propostas diferentes, usa-las juntas e ainda conseguir criar harmonia e equilíbrio no ambiente. Os boêmios amam plantas, inclusive em ambientes fechados, elas ajudam a trazer mais vida para a casa e deixam qualquer lugar mais aconchegante. Essa ideia é ótima para quem mora em cidades grandes e não tem como viver muito em contato com a natureza. As cores tam...