Sonhadora nata, eu sempre fui muito boa em criar expectativas. Uma simples troca de olhares com um cara totalmente aleatório no metro já era mais do que suficiente para que eu criasse a história da nossa vida juntos. Desde como a gente, acidentalmente, acabaria descendo na mesma estação e coincidentemente indo ao mesmo lugar, até como nos apaixonaríamos e viveríamos felizes para sempre. Criava a história toda em minutos, mas o homem da minha vida sempre descia em outra estação. Chega a ser ridículo pensar que eu ainda faço isso. Fica mais ridículo ainda quando lembro da minha idade.
É impressionante como algumas pessoas não tem sorte no amor, aquele tipo que erra tão feio na escolha dos parceiros que passa a ser chamado de dedo podre pelos amigos. Eu sou esse tipo. Por algum motivo misterioso eu nunca consegui encontrar alguém que reciprocasse o que eu sentia ou o inverso. E aí tem sempre aquele alguém que vem te consolar depois do fim de algo que nem havia começado e é sempre a mesma história: as explicações do fracasso vão de carma e destino até o caráter duvidoso do seu 'ex qualquer coisa'.
E pra você não faz a menor diferença se ele não tinha absolutamente nada em comum com a sua pessoa, se é brega, se não é lindo e maravilhoso como você, se a índole dele é incerta, se ele é psicopata, se... A única coisa que vem a sua mente é a eterna lembrança de que você falhou novamente. De que mesmo você sendo muito pra ele, muito mais bonita, mais inteligente, possuidora de ótimo gosto musical, senso crítico e espírito livre e ele sendo o que quer que seja, ele não foi capaz de corresponder seus sentimentos. De novo.
Em um dos diálogos do filme 'A Praia' o personagem de Leonardo DiCaprio, 'Richard', fala sobre o estado de cegueira em que ficamos quando estamos apaixonados. Ele diz que quando desenvolvemos uma paixão cega por alguém, sempre tentamos encontrar razões para acreditar que àquela é a pessoa certa para nós. Mesmo que ela tenha hábitos bobos e irritantes, que no seu estado normal seriam responsáveis para que vocês terminassem, no meio da paixão cega eles parecem ser tudo que você esteve procurando todos esses anos.
A cegueira da paixão nos impede, muitas vezes, de enxergar que tal pessoa não é a melhor para nós. Tentamos encaixar-la, de todas as formas possíveis, às nossa expectativas e aos nossos ideais. Mas não adianta, ela não se adéqua. A gente coloca na cabeça que aquela pessoa é a certa e , cegos, acabamos deixando passar alguém que se qualificava pra ser the one. E isso não significa que eu e você não devemos ter expectativas ou paixões de metro, mas que tenhamos a maturidade de saber quando derramar intensidade e quando deixar ir. Afinal, não importa quão lindo seja o quadro, se você está cego não vai ser capaz de enxerga-lo.

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